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10/03/2010 - 08:25 | Diário do Nordeste - CEAberta exposição do ícone da fotografia Marc Riboud
A reprodução perfeita da alma humana e o registro do momento exato, transformados em história, denúncia social e poesia. Tudo isso e muito mais despontam na riqueza das 60 fotos de Marc Riboud, expostas desde ontem à noite, no Espaço Cultural da Universidade de Fortaleza (Unifor), numa parceria com a Aliança Francesa.
Aberta ao público em geral a partir de hoje, das 10 às 20 horas, e, aos sábados e domingos, das 10 às 18 horas, a exposição ficará em cartaz até o dia 25 do próximo mês, numa oportunidade ímpar para quem deseja conhecer de perto o trabalho daquele que é um ícone da fotografia da atualidade.
Aos 87 anos, o francês Marc Riboud é autor de fotos memoráveis, como um trabalho de 1967 em que mostra uma manifestação contra a guerra do Vietnã. A simbologia da imagem de uma mulher segurando uma flor diante das baionetas fala mais que mil palavras. Também é memorável a foto que o projetou no mundo das artes: a do pintor da Torre Eiffel, clicado totalmente sem proteção durante sua atividade.
Inesquecível, dentre muitas outras, é a foto que irradia poesia, feita em 1956 na Índia, acompanhada do texto "A umidade e a bruma são propícias à cultura do chá". As tonalidades, em preto e branco, são suaves e a composição da paisagem é comparável à dos grandes mestres da pintura.
Sensibilidade
Seja pelo resgate da historiografia contemporânea do mundo afora, seja pela sensibilidade impressa na composição de cenas do cotidiano, a exposição da obra de Marc Riboud não pode deixar de ser vista, ressalta o vice-reitor de Extensão da Unifor, Randal Pompeu.
Itinerante, a exposição, de Fortaleza, segue para Recife e, de lá, para outras capitais do País. As 60 fotos desse artista incluem trabalhos (em cores) feitos no Brasil, na primeira e única viagem feita ao nosso País, ano passado. Umas dessas fotos mostra o dia a dia na Favela da Maré, no Rio de Janeiro.
O pró-reitor lembrou que a exposição só foi possível graças a uma parceira da Unifor com a Aliança Francesa em Fortaleza. A mesma parceria que possibilitou, em 2009, trazer para a instituição a exposição 100XFrance.
A obra de Riboud é o que existe de mais moderno no resgate de imagens através da fotografia, considera o diretor geral da Aliança Francesa, no Rio de Janeiro, Yann Lorvo.
"Tecnicamente não é difícil fazer uma boa fotografia. Para isso, basta usar elementos como luz e velocidade", disse, considerando que o grande mérito de Marc Riboud foi "colocar o coração nas imagens que fez".
O respeito ao sentimento e expressão facial de quem está sendo retratado é uma preocupação evidente no trabalho de Marc, observou Lorvo. "A sensibilidade com o outro é visível", completa.
Já o diretor da Aliança Francesa, em Fortaleza, Alain Didier, enfatiza que a exposição é uma iniciativa que propicia ao fortalezense "o privilégio de conhecer a arte de um dos grandes gênios da fotografia". E essa arte, completa, vai muito além do simples apertar um botão; ela mostra crianças, mulheres e homens com a riqueza de detalhes e da poesia "que poucos sabem tão bem registrar como Marc Riboud". Em suas fotografias, a história e o cotidiano se confundem, ratifica.
É assim, por exemplo, na bela e contundente foto que registra campos de refugiados em Calcutá, ou, ainda, no trabalho que enfoca a neve que cobre o museu da História em Moscou, no ano de 1960.
Para a reitora da Universidade de Fortaleza, Fátima Veras, a Unifor mais uma vez contribui para disseminar a cultura com a população cearense quando promove exposições dessa natureza. "Ele é um maiores ícones vivos da arte de fotografar", destacou a reitora.
Vida e obra
Marc Riboud
Nascido em 1923 na cidade de Lyon, na França, Riboud se tornou um dos grandes mestres da fotografia no mundo. Durante a Exposição Universal de Paris em 1937, ele realizou suas primeiras fotografias com o pequeno Vest-Pocket, que seu pai lhe deu por ocasião de seus 14 anos. De 1946 a 1948, Marc Riboud estudou engenharia na Ecole Centrale de Lyon e trabalhou em uma fábrica antes de resolver dedicar-se à fotografia. Em 1953, conseguiu publicar na revista Life a foto de um pintor da Torre Eiffel. Convidado por Henri Cartier-Bresson e Robert Capa, integrou a equipe da agência Magnum. Entre 1968 e 1969, realizou reportagens no Vietnã do Sul e também na parte Norte do país, onde foi um dos fotógrafos a poder ficar lá. Foi eleito vice-presidente da Agência Magnum na Europa em 1959. Em 2009, lançou "Algérie, Indépendance", pela editora Le Bec en l´air. Ao todo, foram 16 livros de fotografia publicados, entre eles: "Les Tibétains", "Photographies de Marc Riboud", "Sous les pavés", "Marc Riboud, 50 ans de photographie", "Capital of Heaven", "Angkor: The Serenity of Buddhism", "Visions of China", "The Face Of North Vietnam", entre outros.
Foram organizadas também duas importantes retrospectivas: em 2004, na Mason Européenne de la Photographie de Paris, e, no ano passado, no Museu da Vida Romântica, também em Paris. Uma terceira mostra está prevista no Shanghai Art Museum, ainda este mês. Seu trabalho já foi exposto em diversos museus. Ele recebeu, entre outras recompensas, dois prêmios do Overseas Press Club, o Time-Life Achievement, o Lucie Award, o ICP Infinity Awarde, e, recentemente, o Sony World Photography Award.
Artista capta a exatidão do momento
"É uma grande exposição, de um artista contemporâneo, que mostra, através da fotografia, várias passagens de nossa história. Momentos do século passado e do início do século atual, em várias partes do mundo, são registrados com sensibilidade e poesia. Da guerra do Afeganistão às cenas do cotidiano, a exposição reúne o belo trabalho de Marc Riboud"
Fátima Veras
Reitora da Unifor
"Marc Riboud sabe o momento de clicar. E, na exatidão desse momento, seu trabalho nos lembra Henri Cartier-Bresson. A composição das fotos de Marc Riboud é perfeita. Elas resgata m o sentimento do homem e sua alma. A exposição, também, nos lembra muito Sebastião Salgado no registro das questões sociais"
Wolney Oliveira
Diretor da Casa Amarela Eusélio Oliveira
"Essa exposição é uma bela retrospectiva do trabalho maravilhoso desse artista. Para nós, é uma honra trazer essa exposição para a Unifor, que é uma referência nacional como instituição de Ensino Superior que atua na promoção da arte e da cultura. A mostra é itinerante e daqui seguirá para outras capitais do País, como Recife, Salvador, Rio de Janeiro e Brasília".
Yann Lorvo
Diretor geral da Aliança Francesa (RJ)


