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09/03/2010 - 09:09 | Diário do Nordeste - CE

Na escala do tempo

A Universidade de Fortaleza e a Aliança Francesa no Brasil apresentam, de hoje até 25 de abril, no Espaço Cultural Unifor, a exposição "Marc Riboud - Fotógrafo", reunindo suas 60 fotos mais representativas

Autor de algumas das imagens mais inspiradoras do fotojornalismo, como "O pintor da Torre Eiffel" (1957) e "La jeune fille a la fleur" (Washington, 1967), Marc Riboud é parte da tradicional escola francesa que deu origem à chamada fotografia humanista, e influenciou uma geração inteira de fotógrafos em todo o mundo, marcando de forma definitiva a maneira de representar o mundo durante o Século XX.

Parceiro e amigo de Henri Cartier-Bresson (o irmão de Riboud era noivo da irmã de Bresson), e Robert Capa, Riboud integra a lista dos grandes nomes da fotografia mundial. Ele é uma lenda viva e atuante, que aos 87 anos, com sua Canon EOS a tiracolo, continua a olhar o mundo com paciência, esperando o momento certo para o registro. É desse instante captado por sua lente certeira que nasce sua poesia imagética: clássica e elegante. Cheia de vida.

O surpreendente

Em entrevista ao jornal Zero Hora, no ano passado, quando esteve pela primeira vez no Brasil a convite do Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre, Marc Riboud disse que não procura o espetacular, pois o que lhe motiva é a surpresa.

"Trato de sempre carregar minha câmera comigo, como um pianista, que precisa se exercitar todos os dias, para não congelar os dedos. O que eu procuro, no fundo, como todo aquele que fotografa, é um modo de reter o instante. Nós tentamos parar o tempo. Nisso, somos surpreendidos por alguma coisa", declarou o fotógrafo.

Riboud também falou de seu fascínio pela forma. Para ele, esta é como uma espécie de escritura, pela qual se expressa: "você tem algo extraordinário para contar, mas precisa contar bem. O assunto é importante, mas a forma deve acompanhar. Há uma qualidade que combina forma e conteúdo. Tento contrariar o velho provérbio chinês segundo o qual ´O estrangeiro não vê senão o que ele já sabe´. Em qualquer cidade em que vou, sempre saio para fotografar, explorando algumas de suas minúcias".

Exposição Unifor

Em 50 anos de carreira mais do que imagens, Marc Riboud registrou sentimentos, cenas marcantes e singularidades com bastante sabedoria, buscando mostrar a verdade daquilo que via ao mundo.

De hoje até 25 abril, o público cearense tem a oportunidade de conhecer melhor um pouco da trajetória desse fotógrafo francês, a partir da exposição "Marc Riboud - Fotógrafo", que reúne 60 fotos das mais significativas de sua carreira.

A mostra, que ficará em cartaz no Espaço Cultural Unifor, nos levará para uma viagem à tradicional escola francesa, chamada de fotografia humanista. As imagens evidenciam a diversidade de épocas e locais registrados por Riboud - de Washington ao Vietnã, do Nepal às Índias, da China à África, ou no Brasil -, valorizando o olhar atento, humanista e, ao mesmo tempo, crítico de seu autor.

Conforme Yann Lorvo, diretor geral da Aliança Francesa no Brasil, "há certos nomes que ressoam com a força de uma evidência e pessoas que nos dão vontade de amar os outros. Marc Riboud é uma dessas pessoas instigantes. Além do talento e do olhar certeiro de Riboud, há sem dúvida um comprometimento, um complemento de alma, um não sei quê que faz a diferença entre artista e artesão, vence o homem, com seus sonhos sobre o futuro".

Sua foto mais conhecida é a de uma mulher (Jane Rose) segurando uma flor em frente à tropa armada, numa manifestação próxima ao Pentágono contra a Guerra do Vietnã, em 1967. "Ela me disse que eram os soldados que tremiam", contou Riboud, naquela ocasião.

O fotógrafo faz parte de uma geração que deu uma nova dimensão ao fotojornalismo. Com Henri Cartier-Bresson, Robert Capa e George Rodger vivenciou a epopeia mágica da arte de captar a vida.

Mostra itinerante

A individual percorrerá seis capitais brasileiras, sendo a da Universidade de Fortaleza a primeira do roteiro, seguida por Brasília, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Em "Marc Riboud - Fotógrafo", o público reviverá momentos importantes da história mundial, seja na China de Mao Tsé Tung, na União Soviética, na Índia, na independência da Argélia, no Maio de 68 na França ou na Guerra do Vietnã. "Fico feliz ao ver que minhas fotos viajam pelo Brasil. Felizmente, o olhar e o coração não envelhecem e os novos encontros me rejuvenescem", diz Riboud.

Mestre da fotografia

Marc Riboud

Nascido em 1923 na cidade de Lyon, na França, Riboud se tornou um dos mestres da fotografia no mundo. Durante a Exposição Universal de Paris em 1937, ele realizou suas primeiras fotografias com o pequeno Vest-Pocket, que seu pai lhe deu por ocasião de seus 14 anos. De 1945 a 1948, Marc Riboud estudou engenharia na Ecole Centrale de Lyon e trabalhou em uma fábrica antes de resolver dedicar-se à fotografia. Em 1953, conseguiu publicar na revista Life a foto de um pintor da Torre Eiffel. Convidado por Henri Cartier-Bresson e Robert Capa, integrou a equipe da agência Magnum. Entre 1968 e 1969, realizou reportagens no Vietnã do Sul e também na parte Norte do país, onde foi um dos poucos fotógrafos a poder ficar lá. Em 2009, ele lançou "Algérie, indépendance", pela editora Le Bec en l´air. Foram organizadas duas importantes retrospectivas: em 2004, na Mason Européenne de la Photographie de Paris, e no ano passado, no Museu da Vida Romântica, também em Paris. U ma terceira mostra está prevista no Shanghai Art Museum, em março deste ano.Seu trabalho foi exposto em diversos museus. Ele recebeu, entre outras recompensas, dois prêmios do Overseas Press Club, o Time-Life Achievement, o Lucie Award, o ICP Infinity Award e, recentemente, o Sony World Photography Award.

Mais informações

Exposição "Marc Riboud - Fotógrafo", abertura hoje, para convidados, às 19h. Aberta ao público a partir da manhã, das 10h às 20h, e sábados e domingos, das 10h às 18h, no Espaço Cultural Unifor. Gratuita.

Em cartaz até 25 de abril.

Agendamento de visitas guiadas para escolas: (85) 34773319.

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